Um esforço concentrado de moradores do Jardim dos Alpes, zona norte, com as secretarias de Saúde e Obras e Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) vai combater, de hoje a domingo, a infestação de caramujos africanos no bairro. Fiscais vão verificar terrenos baldios, fundos de vale e lixo amontoado para encontrar e incinerar os moluscos. Além disso, o grupo também vai passar, de casa em casa, para conscientizar os moradores sobre a forma correta de eliminar os caramujos.
O mutirão está previsto desde julho. Na época, moradores do bairro, indignados com a infestação da praga – que atinge não só a zona norte, mas a cidade inteira, segundo o Setor de Endemias – pediram providências à Prefeitura. Foi feita uma palestra com 50 integrantes da Associação dos Moradores do Jardim dos Alpes, representantes da Vigilância Sanitária e da CMTU. Os fiscais da Vigilância ensinaram aos moradores as características do molusco, bem como formas de extermínio seguras.
Para o agricultor Agenor Luis da Rosa e a mulher, Vilma, que moram em frente a um córrego (um dos locais prediletos do molusco) que corta o bairro, a infestação dos caramujos traz incômodo. “Junto tudo em uma lata e taco fogo”, resumiu Vilma, que disse sempre deixar a casa limpa. “Os caramujos, aqui, não passam do portão. Mas a gente sempre vê, alguns são pequeninos e outros são gigantes.” A infestação no bairro não é recente, como contou Agenor. “Isso [os caramujos] tem faz anos, principalmente perto dos fundos de vale e rios. Só agora é que eles vão aparecer para resolver? A gente nunca esperou”, criticou.
O coordenador do Setor de Endemias, Jorge Augusto de Sá, disse que cerca de dez fiscais vão estar na operação. “Vamos localizar os moluscos e incinerá-los corretamente, com o auxílio dos fiscais das outras secretarias. É um trabalho difícil, porque os caramujos se escondem em locais escuros e úmidos”, explicou. Além da “esperteza”, a falta de predador natural dificulta o combate e a erradicação, já que o molusco foi importado para ser alternativa barata ao escargot. “Eles são hermafroditas, se reproduzem sozinhos e muito rápido.”
Sá explicou que devem ser tomados alguns cuidados para extermínio dos caramujos. O principal é nunca pegá-los sem proteção – luvas ou até mesmo uma sacola plástica resolvem. “Quando for queimar, o morador tem que lembrar de incinerar a casca também, porque acaba servindo de criadouro para a dengue”, lembrou.
Doenças
Os caramujos africanos são transmissores da doença angeo-estrongeloidíase, que tem sintomas semelhantes ao da meningite. “Ao entrar em contato com a pele do caramujo, o morador pode relar no muco que ela solta. Os vermes entram e se alojam no cérebro ou no globo ocular.”