Oito mortes por febre amarela silvestre foram registradas neste ano no Estado de São Paulo. Todas na região de Botucatu (238 km de São Paulo). A maior parte delas ocorreu em Piraju: seis. Em Sarutaiá, uma, e Itatinga, uma, segundo a Secretaria de Estado da Saúde.
Em todo o ano passado em São Paulo foram duas mortes, na região central do Estado. A secretaria distribuiu um alerta para que as pessoas que pretendem viajar no feriado da Páscoa para 20 municípios da região de Botucatu tomem a vacina contra a doença.
Cidade com o maior número de mortes, Piraju (334 km de São Paulo) já registrou 42 notificações de casos suspeitos, de acordo com informações da prefeitura. Todas em março.
Além das seis mortes confirmadas por febre amarela silvestre no município, uma outra está sendo investigada. A última foi registrada anteontem: um homem de 34 anos.
"Nunca tivemos um caso de febre amarela aqui. Todos os mortos freqüentavam matas da região", informou o diretor da Vigilância Sanitária de Piraju, Márcio de Oliveira.
Ele, que é coordenador das equipes de nebulização do município, afirmou que cerca de 100% da população foi vacinada após "uma corrida" aos postos de saúde. Ontem em Botucatu houve filas em postos de saúde para Humanos.
A febre amarela é uma doença infecciosa viral aguda, transmitida por mosquitos. Pode levar à morte em uma semana se não for tratada rapidamente. Ela não é transmitida de pessoa para pessoa. Os sintomas mais comuns da doença são febre alta, calafrios, vômitos, dores no corpo, pele e olhos amarelados.
Ainda de acordo com Oliveira, da Vigilância Sanitária, está sendo feito um monitoramento das matas da região. Até agora não foram encontrados macacos mortos nessas matas. A morte de animais por febre amarela indica a presença do vírus e o risco de transmissão para humanos.
Vacinação
Para ser totalmente eficaz, a vacinação contra a febre amarela deve ser feita com no mínimo dez dias de antecedência. A vacina tem validade por dez anos. As pessoas que não viajarem para áreas de risco não devem ser vacinadas.
Para Clélia Aranda, coordenadora de Controle de Doenças da Secretaria do Estado da Saúde, a maior preocupação agora é garantir a vacinação dos viajantes que irão para aquela região no feriado.
"Conhecemos o problema na metade de março. Nesses 15 dias todas as ações de controle foram adotadas. O que falta agora é a vacinação das pessoas que viajam para lá. É uma informação que precisamos dar rapidamente. Daqui dez dias é o feriado e, se não tomarem a vacina agora, não estarão protegidas para a viagem.
FONTE: JOSÉ EDUARDO RONDON, da Agência Folha ABRIL/2009